sexta-feira, 12 de junho de 2009

Pesquisa sobre qualidade de vida dos idosos em São Paulo

Resumo

Esse estudo objetivou avaliar a satisfação de 3 grupos seletos de idosos senescentes acima de 60 anos em relação à sua qualidade de vida dentro da capital do estado de São Paulo. Os dados foram obtidos através do questionário de qualidade de vida SF- 36 na versão em português, onde não foi feito uma entrevista direta com os idosos, mas os mesmos se propuseram a responder individualmente ao questionário . Nossa amostra foi constituída por 3 grupos com 10 idosos cada, totalizando 30 idosos nos bairros do Morumbi (classe alta), Jardim Esther (classe média para alta), Penha (classe baixa para média). Nos resultados, verificamos que a satisfação de qualidade de vida desses idosos mostrou-se satisfatória em bairro de classe média como Jd. Esther, entre satisfação baixa e média no bairro da Penha e satisfação alta e apropriada para a idade geriátrica em bairro nobre de São Paulo, o Morumbi.

Introdução

Desde os primórdios da existência humana, do Homo Erectus passando pelo Homo-Sapiens Arcaico em direção ao homem de Neandertal, a qualidade de vida (QV) nunca foi prioridade e nem de preocupação constante do ser humano (1).
Só a partir mesmo do Homo Sapiens Moderno e a constituição da cultura mundial já estabelecida por países desenvolvidos e subdesenvolvidos, é que a qualidade de vida começou a ser primordial de grande importância para a raça humana afim de poder estender mais a existência dos seres humanos em nosso planeta (2).
O termo qualidade de vida tem recebido uma variedade de definições ao longo dos anos. A QV pode se basear em três princípios fundamentais: capacidade funcional, nível socioeconômico e satisfação. A QV também pode estar relacionada com os seguintes componentes: capacidade física, estado emocional, interação social, atividade intelectual, situação econômica e auto proteção de saúde. Na realidade, o conceito de QV varia de acordo com a visão de cada indivíduo. Para alguns, ela é considerada como unidimensional, enquanto, para outros, é conceituada como multidimensional(5).
De acordo com o professor de gerontologia Vicente Faleiros da universidade católica de Brasília, está havendo um aumento do número populacional de idosos não apenas de 60 anos para cima, mas mais especificamente os idosos acima dos 80 anos. Enquanto o conjunto de idosos está aumentando em torno de 3,5% ao ano, os idosos com mais de 80 anos está aumentando em 4,7% ao ano, e com isso, hoje no Brasil temos os idosos que já são classificados como “idosos jovens” que vão de 60 a 70 anos.
O Brasil já tem 18 milhões de idosos nessas faixas etárias mas recente levantamento realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para 2020, a estimativa é que 12% da população brasileira seja de idosos, cerca de 31 milhões de pessoas(3).
Diante de nossa atual conjuntura, nosso estudo procurou respostas através da mais recente tradução para a língua portuguesa do questionário de qualidade de vida SF- 36, com o intuito a uma avaliação de um grupo seleto de idosos na cidade de São Paulo, afim de avaliar a satisfação do idoso em relação a sua qualidade de vida.

Justificativa

Devido ao aumento populacional de idosos no Brasil, e a continuidade desse efeito, faz-se necessário a avaliação do grau de qualidade de vida de 3 grupos de idosos acima de 60 anos na cidade de São Paulo.

Objetivo

Avaliar a qualidade de vida em 3 grupos de 10 idosos senescentes acima de 60 anos ou mais no bairro do Morumbi, Penha e Jd. Esther da cidade de São Paulo.
Metodologia

O método utilizado neste estudo foi de natureza quantitativa. A população paulistana foi dividida em 3 grupos de idosos, cada grupo residente nos bairros do Morumbi, Penha e Jardim Esther, onde podemos constatar classe baixa para média, média para alta e apenas alta. Para a coleta dos dados, foi entregue o questionário de qualidade de vida SF-36 a cada idoso desses grupos para que os mesmos respondessem as perguntas propostas que vão desde realização de tarefas durante as últimas 4 semanas de suas vidas até o interferimento da saúde física e emocional nas atividades sócias.
Na seleção para o questionário, foram considerados indivíduos idosos aqueles que estavam na faixa etária de 60 anos ou mais e que fossem senescentes. Esse critério abordado por nosso grupo é adotado pela Organização Mundial da Saúde(4) que classifica cronologicamente como idosos as pessoas com mais de 65 anos de idade em países desenvolvidos e com mais de 60 anos de idade em países em desenvolvimento, como no caso, o Brasil.
Para todos os idosos foi esclarecido o tipo de pesquisa realizada antes de ser entregue o questionário, qual área da saúde e faculdade estava fazendo a abordagem, no caso, a fisioterapia e a faculdade Uninove. Os mesmos se propuseram a responder individualmente ao questionário.
Cada questionário de qualidade de vida Sf-36 ainda conta com uma tabela de pontuação, a tabela de cálculo dos escores do questionário de qualidade de vida, afim de ser realizado um cálculo final com intuito de avaliar o grau de qualidade de vida dos idosos dos 3 bairros selecionados. Ao final da coleta de todos os questionários, é feito o cálculo de cada idoso e feito um balanço geral do grau de qualidade de vida de cada indivíduo dos bairros paulistano propostos.

Com a pontuação do escore imposto pelo próprio questionário, é levado em consideração aspectos de qualidade de vida como capacidade funcional do idoso senescente com as atividades de vida diária, aspectos limitativos físicos e emocionais, dor, vitalidade saúde mental e aspectos sociais.

Resultado

Ao final da coleta dos questionários, foi feito o cálculo de escore de cada idoso e a somatória desse escore por cada bairro avaliado.
Levando em consideração que a pontuação 1 seria pouca ou baixa, 2 moderada ou satisfatória e 3 alta ou excelente, constatou-se o grau de qualidade de vida nos bairros de classe baixa para média , média para alta e alta conforme tabela abaixo:

Foi constatado que a Capacidade funcional dos 30 idosos avaliados acima de 60 anos é excelente em bairros de classe alta e média para alta como o Morumbi e o Jd. Esther, e moderado de classe baixa para média como o bairro da Penha. Estado geral da Saúde, saúde mental, limitações por aspectos físicos e aspectos emocionais se mostraram moderados em ambos os bairros.
O grau de Dor dos idosos senescentes em bairros de classe média para alta e somente alta foi classificado como baixo e moderado no bairro da Penha.
Referências Bibliográficas

1-Linton, Ralph; O Homem - Uma Introdução à Antropologia, Ed. Martins Fontes, 2000.
2-Foley, Robert; Os Humanos antes da Humanidade, Ed. Unesp, 2003.
3-www.bonde.com.br
4-Ministério da Previdência e Assistência Social. Secretaria de Ação Social (BR). Plano de ação governamental integrado para o desenvolvimento da Política Nacional do Idoso. Brasília (DF): Ministério da Previdência e Assistência Social. Secretaria de Ação Social; 1996.
5-Santos, Ribeiro. Qualidade de vida do idoso na comunidade: Aplicação da escala de Flanagan; 2002